quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


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ano I - nº 2 - maio de 2001


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Poesia  -  João de Abreu Borges
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Metamórfico

Ei -la

em intervalos,

curvas olhando o vinho,

castiçais à espera do fogo,

pernas cruzando limites,

deslizando em minhas pálpebras,

mãos sobrevoando punhos,

cabelos descendo a crina de alados



Ei-la

ao infinito elevada

enquanto vela

pela leve impressão

de ser

muito mais

do que estar

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Prosa - João de Abreu Borges
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Ao lápis

Eu comecei a escrever este texto a lápis. Não porque fosse só o primeiro objeto ao alcance de minha vontade. Era também o mais próximo da brevidade das coisas próprias de meu texto.

A cada página virada, uma nova atitude de pegar o canivete, cortar a madeira e aparar a ponta do grafite. O suave cinza da cor do lápis, o equilíbrio exigido dos dedos para não quebrá-lo, a energia de um pedaço de árvore ferida e a possibilidade de " deletar " com uma simples borracha qualquer erro cometido, levou-me a acreditar que eu poderia e deveria e conseguiria escrever meu livro entre pautas, mesmo acabando finalmente nas mãos de um computador.

Lembro agora do Padre Antonio Vieira com seu cajado pensando alto sobre a areia da praia... Lembro dos antigos egípcios e seu paciente estilo cuneiforme... Mais remotamente ainda, lembro dos homens das cavernas: as paredes das cavernas também serviam de abrigo para a memória.

Assim, o lápis acompanhava fielmente as turbulências de meu espírito; afinal de contas ele foi o primeiro instrumento de registro diante de meus dedos, quando ainda engatinhava minha língua e linguagem.

De qualquer forma, perpetuada por sólidas rochas ou resumida em frágeis grãos de areia, a história é sempre a mesma. Eternizada pelo cunho de velhos sacerdotes ou relegada aos ecos da memória oral, a história sempre será fruto dos homens, e os homens serão sempre fruto de sua própria cultura; esta, sim, mantendo-se sempre em movimento, sempre dando continuidade à crença de que somos mutantes, de que nunca chegaremos a lugar algum, mas estaremos sempre à procura de algum lugar, até o dia (quem sabe?) em que descobrirmos que ele está exatamente onde nossos passos estão!

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Reflexão
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Oração da Serenidade

Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária 
para aceitar as coisas que não podemos modificar;
a coragem necessária para modificar aquelas que podemos;
e sabedoria para distinguir umas das outras.

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AVE DA VIDA
[Uma homenagem a Oscar Niemeyer]


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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

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Doze anos após, "reinauguramos" o ano 1 para quem não teve a oportunidade de
acompanhá-lo desde 2001.
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                                                              ano I - nº 1 - abril de 2001


"Não a que é vivida,
mas a que está perdida...
a que é apenas sonhada!"
DANTE MILANO


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Poesia  -  João de Abreu Borges
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Acordar

Prefiro os pássaros voando nos tímpanos
antes mesmo da descoberta do corpo na cor da manhã recente
Depois, sim, vem o ar (ou a consciência de que existe o ar)
abrigando os pulmões no ofício essencial da existência:
antes de serem tristes ou alegres, os homens respiram a esperança.

Em segundo lugar,
os olhos descobrem no escuro alguma coisa acesa
trazendo luz ao fundo de suas retinas
antes do pequeno engano lilás do abajur ainda indeciso.

Se o dia já é claro,
as janelas fechadas não impedem a primavera das horas
onde a aurora se ergue e não pára
O medo do mundo, sim, pode quebrar a chave na porta
e deixar as palavras sem saída.
O medo do mundo é um pesadelo de olhos abertos.

Por último,
o banho reconcilia o corpo e o espaço
As mãos separadas unem todas as partes do corpo
a água,
líquido manto rebatizando os sentidos,
fundamenta o mundo
enquanto sua heresia espia e molha
Depois do espelho
– com meu eu refém de mim 
volta a filha pródiga de todas as manhãs:
a vida!



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Prosa - João de Abreu Borges
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Por que a chuva cai

Essa pergunta adquire consciência em meses tais como janeiro... fevereiro ... E respondemos com outra pergunta: cai porque concentra-se a massa de ar quente? Ou cai também porque a terra precisa de sua energia para dar continuidade ao seu ciclo de existência?

Os poetas também precisam dela pois , ao cair, ela silencia bastante a cidade. Silencia do ponto de vista do rumor urbano. Silencia porque cala apenas os resíduos sonoros, na verdade os estrondos da cidade. Silencia, cala e enterra as desnecessárias buzinas também.

E o barulho do mergulho da chuva na terra é um verdadeiro “marulho”... Assim como o som da água do mar batendo nas rochas ou descendo sobre a areia é algo reconfortante e amigável, a dança dos pingos da chuva também produz uma sensação de bem-estar aos espíritos mais sensíveis que, normalmente, se dedicam ou às artes ou às religiões.

Se no campo a chuva delicia a terra fertilizando-a, nas cidades fecunda as almas pensantes... reflexivas ...

Neste momento, por acaso, faz sol, mas o som cristalino da chuva descendo moleque dos galhos das árvores ou rolando lúdicas dos telhados está vivíssimo em minha memória.

Dentro de mim, agora, simples gotas de chuva borboletam em transparência, frescor e asas mnemônicas.

Não sou índio mas fiz minha dança da chuva. Não quis o sol nesse momento e fiz chover em mim, fiz nascer um filete de água entre minhas artérias e estou pronto para a infinita viagem até o mar das futuras possibilidades.

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Reflexão
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Chesterton

"A idéia que não procura tornar-se palavra
é uma idéia inútil;
e a palavra que não procura tornar-se ação
é uma palavra inútil."

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domingo, 21 de outubro de 2012


ano 1    Edição “pegando pesado’

ano XII – nº 133 – outubro – 2012

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poesia. joão de abreu borges
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O Rio de Janeiro continua...

Nossa cidade nunca foi destruída
Por bombas nazistas
Por bambinos (Mussolini)
Por bumbos integralistas
Por bambus japoneses...

Nunca nossa cidade foi reconstruída
Por vaidosos alemães engalanados em si mesmos
Por românticos italianos bem intencionados
Por desmemoriados integralistas
Por japoneses soterrados em si mesmos...

Nossa cidade é bela
Como a luz de seus dias nas montanhas altas
(e as favelas de suas montanhas altas)
Como a paz líquida de sua orla marítima.
(e a mata atlântica já morta)
Derramando suas últimas gotas de seiva sobre o mar...

Nossa cidade exige caminhos
Mas os homens já não sabem caminhar...

O Rio de Janeiro é uma cidade
Onde já não há gregos, romanos,
europeus ou norte-americanos,
Apenas o que fomos índios,
Nós que não somos o que fomos,
porque aqui estamos
e aqui já não vivemos.

Apenas gritamos da terceira margem,
Onde nem rios há mais...
Que terceira margem?
Que rios?

Basta um emprego público,
Uma família com carro na garagem,
Um diploma de “falcudade”,
Uma desculpa qualquer ao vizinho,
E tudo será sempre assim:

Corcovado,
Pão de Açúcar,
Ipanema,
Copacabana...

Mas ninguém há de querer tirar o chinelo
e queimar os pés no chão...
Esse chão negro, histórico, carioca,
moreno, iconográfico,
Sem professores e sem médicos.

Com a triste alegria dos que passam
alheios aos cadáveres
Sobre os quais dançam sua glória e hegemonia.

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SÉRIE “GAMBOA-RJ” – Imagem nº 3



“Quéops”, “Quéfren” e “Miquerinos”,
as três pirâmides egípcias, aparições
da Gamboa, em frente à minha janela,
e acima do telhado do vizinho,
abaixo do Morro da Conceição,
positivamente assombram
pela coragem da nitidez de suas
entranhas expostas nas paredes.



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prosa. joão de abreu borges
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Camelô

A poesia nos leva a caminhos que, por mais que possamos tentar imaginá-la, jamais poderemos ter plena certeza de como se apresentará como imagem (concreta ou abstrata).

Às vezes (não poucas...), escrevemos correndo e de forma embaralhada  dentro de um ônibus, espaço sólido e móvel que delimita nossa atuação.

Às vezes (não tão raras, também...), um poema se sobrepõe a nossos simples pensamentos e espalha a angústia de não ver nada em volta que combine com ele, que lhe faça companhia do ponto de vista estético e filosófico.

Às vezes (muito menos difíceis de encontrar...), a poesia é ação, quando se lança à nossa frente antes mesmo de nosso primeiro passo, quando alcança nosso olhar (de dentro pra fora ou de fora pra dentro) e dá-lhe um brilho incontestável de ponta de estrela ou ponta de faca.

Às vezes (muitas vezes, por sinal...), em lugares inadequados como um ambiente do trabalho, temos de escrever em cima da perna e embaixo da mesa, para que sua objetividade interior não seja confundida com a objetividade exterior de uma pasta de trabalho protocolar.

Às vezes, vem uma ditadura (qualquer ditadura...) e fere tão profundamente que, das entranhas de nossa carne e dos mistérios de nossa alma, nasce um novo ser revitalizado por uma morte aparente.

Às vezes... “Olha o rapa!


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45 anos de experiência.

Rua Senador Pompeu, 54 Casa XXX
Gamboa – Rio de Janeiro – RJ

(21) 9682-8364  
(21) 2406-8658


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quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Ano 1
ano XII – nº 131 – setembro - 2012


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poesia – j.a.b.
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Tanto Eros quanto Tânatos

Tal qual um cachorro,
Eu só espero
Não choro
Não morro
Nada quero
Nem tanto oro
Quanto ouro
Não sonho puro
Acordo
e me amparo.

Em um só coro
Decoro em versos
O que me custa caro.

Esqueço a alma e o couro
E desespero
Por tanta esperança.


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prosa – j.a.b.
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LANÇAMENTO EDITORA ANO 1
O vidente das nuvens
Geraldo Magela

Diante da força dos sinais linguísticos que o cotidiano nos remete e dos símbolos semânticos que traduzem esse compartilhamento de nosso eu com a realidade, os mais distraídos poderão não admitir a frequência única entre um conceito (literatura) e uma práxis (vida), ambas se neutralizando e fundindo-se para conhecerem um fenômeno novo e maior, uma unidade superior que se revela nas páginas deste livro e que poderíamos chamar de “literariedade”, ou seja, literatura como fragmento, ruptura ou estranhamento,
Ao contrário da inutilidade de uma construção verbal para quem mal sabe o que fazer com seu próprio nome (ou a palavra que seu nome espelha).

A edição deste livro consagra mais uma vez a interação entre saber/ensinar, numa dicotomia fundamental para o pleno diálogo pedagógico entre autor/leitor e professor/aluno; diálogo este que o professor Geraldo Magela (não bastasse teorizar em sala de aula) traz, em seu segundo livro, com sua força pessoal e profissional capaz de gerar consequências em tudo que observa/escreve, tal como um homem que chega ao cume de uma montanha e sente nas entranhas toda a paisagem como oferenda ao seu olhar.

JOÃO DE ABREU BORGES
Editor, escritor e músico

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(série “GAMBOA-RJ” – imagem nº 2)
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Um par de chinelos
Em longos tacos de madeira
Nada mais que isso:
Um par de chinelos
Em longos tacos de madeira


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Ave da vida

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Cartas perdidas
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45 anos de experiência.

Rua Senador Pompeu, 54 Casa XXX
Gamboa – Rio de Janeiro – RJ


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Em respeito a leis éticas que devem reger nosso comportamento dentro ou fora de internet,
comunicamos que, caso não seja do seu interesse receber mais esta carta virtual,
por favor, responda digitando no item ASSUNTO a palavra REMOVER.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012


ano 1
ano XII – nº 130 –  julho de 2012



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poesia - joão de abreu borges
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O amor é o mar

Mostra o seu rosto na face do mar
Em tantas e plenas noites escuras
Os olhos vermelhos, espelhos do Sul
Emprestando o seu nome pras luas
Refletindo estrelas boas (não belas)

Lá onde mora
É mais do que duas
São todas tão tolas
Estão nuas

E ela grita aflita a flor da quimera
Na voz da aventura
Águas e peixes se expandem ao sol
Em pecado é a mais pura
Cantando em versos a roda do mundo

Planeta de espuma
É o som da fúria
De volta ao umbigo
Sem mágoa nenhuma

Eis o mar, doce mar
Veneno balanço que vai
Quando vem me afogar, me afagar
A Terra é azul
porque a vida veio do mar!


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prosa - joão de abreu borges
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“O medo de amar é o medo de ser livre”
(trecho da música de Beto Guedes e Fernando Brant)

Sim, agora talvez não fosse a hora de eu escrever sobre certas coisas verdadeiras demais, brilhantes em excesso ou simplesmente claras a um palmo de nosso nariz. Estou trabalhando em outras coisas, que não literatura, mas tenho de parar tudo e começar a colocar pra fora o que estou sentindo, enquanto ouço a voz transcendental de Emílio Santiago (transcende ao próprio samba, à própria bossa-nova, aos ritmos mais conhecidos no atual estágio da humanidade.).

Refiro-me no início do parágrafo anterior ao medo de ser belo, ao medo de sentir a beleza e à vontade de “pousá-la sobre o colo”, como diria Rimbaud, mal e pobremente traduzido agora por mim.

A causa deste medo já está implícita no verso de Fernando Brant, que dá título a esta crônica, não há o que discutir diante de tamanha constatação, muito bem colocada pelo poeta mineiro, língua das mais afiadas do famoso e querido Clube da Esquina.

Será o mundo tão feio e violento que a gente chega a se perder, quando pensamos em abrir nosso coração e colocar pra fora toda beleza que temos dentro de nós?

Ou será que não somos tão belos assim, e sentimos medo de que descubram o quanto temos de desagradável dentro de nós?

Pelo sim, pelo não, ficamos com a primeira pergunta, e imediatamente reluzimos a resposta merecida: temos que nos manter ligados à antena do mundo e procurar aceitar o Sol como uma proposta viva de encontro incondicional, sem perspectivas ingênuas pós-fronteiras.

Ao atravessarmos a linha tênue entre nós-eu e nós-mundo, é preciso preparar-se para o parto, para a saída do casulo, para o mergulho no fundo do oceano ou no ar. A beleza é viva e inevitável como o ar que respiramos, porém precisamos ter cuidado com a poluição...

quinta-feira, 5 de julho de 2012






ano XII - nº 129 - junho - 2012


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ANO 1 ESTÁ FECHANDO MAIS UM CICLO...
TALVEZ, AGORA NO MÊS DE JULHO
RECOMECE A PUBLICAR TUDO DE NOVO
A PARTIR DE SEU Nº 1 DE 12 ANOS ATRÁS...
VEJAMOS...
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poesia _________________________ joão de abreu borges



Pergunto eu...

Dizem que sou sábio
Mas que sei eu de sabedoria
Se nem em minha fantasia
Consigo erguer um abraço na imensidão?

Dizem que sou manso
Mas que posso eu, embriaguez,
Espalhar pela minha tez
A voz serena de uma guerra em tensão?

Dizem que sou fera
Mas que sinto eu, mera forma animal,
Se nem acima do bem e do mal
Consigo caçar meu ego e dar-lhe razão?

Dizem que sou simples
Mas que faço eu da minha vida
Se fico atrás na hora da partida
Ou se avanço na frente parado na estação?

Dizem que sou franco
Mas que digo eu quando só minto
Não sinto fome, embora tão faminto,
E, com fome, me alimento de inanição?

Dizem que não sou nada
Mas como posso acreditar em tudo
Se quando canto, acabo quieto e mudo
E, em silêncio, do Universo roubo a canção?

Dizem que não tenho estudo
Mas como posso adquirir conhecimento
Se não compreender meu próprio tormento,
E, em desencanto, me encante com devoção.

Dizem que ainda não estou curado
Mas como posso entender de loucura
Se não cultivar a alma mais pura
E, em sonho maldito, ver o verso escrito na mão?





prosa _________________________ joão de abreu borges



Flora de Eva

Quando ela arremessou o olhar, as horas começaram a se transformar em momentos agradáveis e circulavam pela loja como crianças crescendo rapidamente e se tornando adultos mais do que maliciosos: as horas eram morenas, cabelos como crina de cavalo ao vento e cílios como arbustos remexidos por lembranças cada vez mais recentes.
No setor de frutas, bem abaixo da parreira do olhar de Eva – a atendente da loja que mais se aproximava da exata expressão humana feminina –, eu permeava de calor as líquidas mangas, voluptuosas mangas que exalavam um ardor úmido de desejo e cumplicidade.
As mangas, bem junto ao meu ventre, deixavam-na cada vez mais amarelando em fibras cada momento de um sorriso flutuando em sua face. As mangas, mesmo fora da promoção da loja, chegavam à minha língua pelo odor feminino do vapor da pele berrante de minha caça.
Eu acreditava piamente que a morte tinha sentido absoluto, mas em nossa vida relativa era melhor mesmo acreditar na existência de uma espiritualidade sã, pelo menos diante de Eva, que sempre me levava a reflexões para o outro lado de lá.
Pecado ou não, a questão é que a morte é natural e o que nos assusta nela é justamente o artifício de nos crer eterno, principalmente quando beijamos as maçãs de Eva ou desertamos de sua salinidade.
Na loja, tudo isso que penso agora escoa pelo chão, tal como as laranjas que o doce vizinho deixou cair e que abusaram de sua condição de esfera circundando meus passos como se meus passos fossem pétalas de algodão.
Os meus dedos contornaram as curvas de um mamão, enquanto ela – Eva, a vida – se inclinava para pegar algo no chão e sua curta saia ascendia em seu corpo como as vestes expostas de um vegetal, a casca de seu corpo, a luz de entre as suas pernas.
Eu mal podia acreditar que naquela dia, naquela loja, naquele eu que estava sendo ali, habitava um hortidesejo monumental, precioso ao coração tanto mais puro, quanto mais cafajeste.
Não havia bem e mal enlutando-se mutuamente; havia o desejo interrompendo fronteiras, explodindo horizontes...
Senti os pelos de um pêssego querendo mais de meu toque, arrepiando-se por sobre a cabeça de Eva, permitindo-se ao meu carinho, permeando-se ao meu desejo, e bastaria apenas um deus do mundo aparecendo ali e eu e ela seríamos deuses também, mas deuses daqueles que não temem nem são temidos, deuses de si mesmos, aparentando velhice para no fundo brincarem sem compromisso nenhum com a vida ou a morte, gozando eternidades apenas.
A rudeza do inhame, raiz profunda da vida, com sua grossa superfície peluda, entre as minhas pernas alimentava-se da sutileza de algo erétil, cuja função orgânica é movida pela partícula anímica que ergue túmulos, berços, ânus, pênis...
Depois de cozido, o inhame flutua na boca, os seios dela também flutuam, seu olhar ainda tímido também ferve... e tudo se faz segredo desvendado entre dois legumes, duas verduras, duas frutas... em uma só existência.




segunda-feira, 14 de maio de 2012

maio de 2012


ano XII - nº 130 - maio - 2012



NESTA EDIÇÃO, INAUGURAMOS O “BLOG DO ANO 1”.

AGUARDEM O POEMA VISUAL “CÍRCULOS” APENAS DENTRO DO BLOG.

“CÍRCULOS” É UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL E PROFISSIONAL DE AMADURECIMENTO ÉTICO E ESTÉTICO, LANÇANDO MÃO DE UMA GEOMETRIA VITAL.


MENTE EM LUZ.



Respiração
Olhar de frente
O ar, a corrente
O prana
A semente invisível
Brotando em primeiro luar

Provável Absoluto
Refletindo-se em Mim
Quando Eu sou Aquela partícula

Aquarela em transe
De infinito fim.

Quase 2500 anos
Em um segundo
De espera ágil.

Oração de um monge
Coração apache
Canção que emerge
Do fundo do peito
De cada homem
Imerso em si.

CARTAS PERDIDAS


AVE DA VIDA






A vida dividida

Mas você ganha o quê com isso?
Amigos.

Amigos? O que significa isso?
Sonhar com os dedos destrinchando pelos... cabelos... ouvidos alheios cheios de vontade de escutar o que você tiver para dizer ou fazer.

Que tipo de “dizer ou fazer” é esse?
Não se faz o que bem quer de uma vida perdida; se faz exatamente o que se quis dizer com a palavra vivida.

Sinceridade é algo que pode ser igual ao que você diz?
Sim, a idade do tempo que se tem para viver é a extensão do espaço que se ocupa diante da vida.

O outro lado de vocês, como poderíamos chamar ou definir?
O outro lado de algo ou alguém é a mesma coisa do que se é. Não há diferença entre o diferente e o desigual, apenas entre o que se imagina e o que se realmente é. A questão é puramente do ângulo em que se está (seja dentro de um “tri” ou “hexa” ou qualquer coisa parecida dentro da Geometria humana).

Dividir-se não é apenas uma questão de bondade?!
Sim, é isso mesmo: recusar-se ao vocábulo “não”. Dividir-se é admitir a dívida que você tem com a vida. Não apenas por bondade ou caridade, duas abstrações como tais relativas... Dividir-se é saldar sua dívida com a vida. Dividir “com”, não somente “para”. A magnitude da vida, então, está em se sentir uno com o Único!


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VIRAR PÁGINAS É REVIRAR O ESPÍRITO!

Digitação • Revisão • Copy-desk • Diagramação • Capa Impressão gráfica (de 10 a 1000 exemplares)

Rua Senador Pompeu, 65 Quarto 30 - Centro – RJ – CEP: 20080-101
(21) 9682-8364 (21) 7916-2692

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Obedecendo a critérios éticos e legais, a Editora Ano 1 comunica que, caso não deseje mais receber este boletim, CLIQUE, por favor, no campo ASSUNTO e digite REMOVER
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