sexta-feira, 16 de novembro de 2012

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Doze anos após, "reinauguramos" o ano 1 para quem não teve a oportunidade de
acompanhá-lo desde 2001.
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                                                              ano I - nº 1 - abril de 2001


"Não a que é vivida,
mas a que está perdida...
a que é apenas sonhada!"
DANTE MILANO


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Poesia  -  João de Abreu Borges
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Acordar

Prefiro os pássaros voando nos tímpanos
antes mesmo da descoberta do corpo na cor da manhã recente
Depois, sim, vem o ar (ou a consciência de que existe o ar)
abrigando os pulmões no ofício essencial da existência:
antes de serem tristes ou alegres, os homens respiram a esperança.

Em segundo lugar,
os olhos descobrem no escuro alguma coisa acesa
trazendo luz ao fundo de suas retinas
antes do pequeno engano lilás do abajur ainda indeciso.

Se o dia já é claro,
as janelas fechadas não impedem a primavera das horas
onde a aurora se ergue e não pára
O medo do mundo, sim, pode quebrar a chave na porta
e deixar as palavras sem saída.
O medo do mundo é um pesadelo de olhos abertos.

Por último,
o banho reconcilia o corpo e o espaço
As mãos separadas unem todas as partes do corpo
a água,
líquido manto rebatizando os sentidos,
fundamenta o mundo
enquanto sua heresia espia e molha
Depois do espelho
– com meu eu refém de mim 
volta a filha pródiga de todas as manhãs:
a vida!



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Prosa - João de Abreu Borges
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Por que a chuva cai

Essa pergunta adquire consciência em meses tais como janeiro... fevereiro ... E respondemos com outra pergunta: cai porque concentra-se a massa de ar quente? Ou cai também porque a terra precisa de sua energia para dar continuidade ao seu ciclo de existência?

Os poetas também precisam dela pois , ao cair, ela silencia bastante a cidade. Silencia do ponto de vista do rumor urbano. Silencia porque cala apenas os resíduos sonoros, na verdade os estrondos da cidade. Silencia, cala e enterra as desnecessárias buzinas também.

E o barulho do mergulho da chuva na terra é um verdadeiro “marulho”... Assim como o som da água do mar batendo nas rochas ou descendo sobre a areia é algo reconfortante e amigável, a dança dos pingos da chuva também produz uma sensação de bem-estar aos espíritos mais sensíveis que, normalmente, se dedicam ou às artes ou às religiões.

Se no campo a chuva delicia a terra fertilizando-a, nas cidades fecunda as almas pensantes... reflexivas ...

Neste momento, por acaso, faz sol, mas o som cristalino da chuva descendo moleque dos galhos das árvores ou rolando lúdicas dos telhados está vivíssimo em minha memória.

Dentro de mim, agora, simples gotas de chuva borboletam em transparência, frescor e asas mnemônicas.

Não sou índio mas fiz minha dança da chuva. Não quis o sol nesse momento e fiz chover em mim, fiz nascer um filete de água entre minhas artérias e estou pronto para a infinita viagem até o mar das futuras possibilidades.

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Reflexão
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Chesterton

"A idéia que não procura tornar-se palavra
é uma idéia inútil;
e a palavra que não procura tornar-se ação
é uma palavra inútil."

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