ano I - nº 2 - maio de 2001
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Poesia - João de Abreu Borges
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Metamórfico
Ei -la
em intervalos,
curvas olhando o vinho,
castiçais à espera do fogo,
pernas cruzando limites,
deslizando em minhas pálpebras,
mãos sobrevoando punhos,
cabelos descendo a crina de alados
Ei-la
ao infinito elevada
enquanto vela
pela leve impressão
de ser
muito mais
do que estar
em intervalos,
curvas olhando o vinho,
castiçais à espera do fogo,
pernas cruzando limites,
deslizando em minhas pálpebras,
mãos sobrevoando punhos,
cabelos descendo a crina de alados
Ei-la
ao infinito elevada
enquanto vela
pela leve impressão
de ser
muito mais
do que estar
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Prosa - João de Abreu Borges
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Ao lápis
Eu comecei a escrever este texto a lápis. Não porque fosse só o primeiro objeto ao alcance de minha vontade. Era também o mais próximo da brevidade das coisas próprias de meu texto.
A cada página virada, uma nova atitude de pegar o canivete, cortar a madeira e aparar a ponta do grafite. O suave cinza da cor do lápis, o equilíbrio exigido dos dedos para não quebrá-lo, a energia de um pedaço de árvore ferida e a possibilidade de " deletar " com uma simples borracha qualquer erro cometido, levou-me a acreditar que eu poderia e deveria e conseguiria escrever meu livro entre pautas, mesmo acabando finalmente nas mãos de um computador.
Lembro agora do Padre Antonio Vieira com seu cajado pensando alto sobre a areia da praia... Lembro dos antigos egípcios e seu paciente estilo cuneiforme... Mais remotamente ainda, lembro dos homens das cavernas: as paredes das cavernas também serviam de abrigo para a memória.
Assim, o lápis acompanhava fielmente as turbulências de meu espírito; afinal de contas ele foi o primeiro instrumento de registro diante de meus dedos, quando ainda engatinhava minha língua e linguagem.
De qualquer forma, perpetuada por sólidas rochas ou resumida em frágeis grãos de areia, a história é sempre a mesma. Eternizada pelo cunho de velhos sacerdotes ou relegada aos ecos da memória oral, a história sempre será fruto dos homens, e os homens serão sempre fruto de sua própria cultura; esta, sim, mantendo-se sempre em movimento, sempre dando continuidade à crença de que somos mutantes, de que nunca chegaremos a lugar algum, mas estaremos sempre à procura de algum lugar, até o dia (quem sabe?) em que descobrirmos que ele está exatamente onde nossos passos estão!
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Reflexão
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Oração da Serenidade
Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar;
a coragem necessária para modificar aquelas que podemos;
e sabedoria para distinguir umas das outras.
para aceitar as coisas que não podemos modificar;
a coragem necessária para modificar aquelas que podemos;
e sabedoria para distinguir umas das outras.
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AVE DA VIDA
[Uma homenagem a Oscar Niemeyer]
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