segunda-feira, 20 de agosto de 2012


ano 1
ano XII – nº 130 –  julho de 2012



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poesia - joão de abreu borges
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O amor é o mar

Mostra o seu rosto na face do mar
Em tantas e plenas noites escuras
Os olhos vermelhos, espelhos do Sul
Emprestando o seu nome pras luas
Refletindo estrelas boas (não belas)

Lá onde mora
É mais do que duas
São todas tão tolas
Estão nuas

E ela grita aflita a flor da quimera
Na voz da aventura
Águas e peixes se expandem ao sol
Em pecado é a mais pura
Cantando em versos a roda do mundo

Planeta de espuma
É o som da fúria
De volta ao umbigo
Sem mágoa nenhuma

Eis o mar, doce mar
Veneno balanço que vai
Quando vem me afogar, me afagar
A Terra é azul
porque a vida veio do mar!


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prosa - joão de abreu borges
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“O medo de amar é o medo de ser livre”
(trecho da música de Beto Guedes e Fernando Brant)

Sim, agora talvez não fosse a hora de eu escrever sobre certas coisas verdadeiras demais, brilhantes em excesso ou simplesmente claras a um palmo de nosso nariz. Estou trabalhando em outras coisas, que não literatura, mas tenho de parar tudo e começar a colocar pra fora o que estou sentindo, enquanto ouço a voz transcendental de Emílio Santiago (transcende ao próprio samba, à própria bossa-nova, aos ritmos mais conhecidos no atual estágio da humanidade.).

Refiro-me no início do parágrafo anterior ao medo de ser belo, ao medo de sentir a beleza e à vontade de “pousá-la sobre o colo”, como diria Rimbaud, mal e pobremente traduzido agora por mim.

A causa deste medo já está implícita no verso de Fernando Brant, que dá título a esta crônica, não há o que discutir diante de tamanha constatação, muito bem colocada pelo poeta mineiro, língua das mais afiadas do famoso e querido Clube da Esquina.

Será o mundo tão feio e violento que a gente chega a se perder, quando pensamos em abrir nosso coração e colocar pra fora toda beleza que temos dentro de nós?

Ou será que não somos tão belos assim, e sentimos medo de que descubram o quanto temos de desagradável dentro de nós?

Pelo sim, pelo não, ficamos com a primeira pergunta, e imediatamente reluzimos a resposta merecida: temos que nos manter ligados à antena do mundo e procurar aceitar o Sol como uma proposta viva de encontro incondicional, sem perspectivas ingênuas pós-fronteiras.

Ao atravessarmos a linha tênue entre nós-eu e nós-mundo, é preciso preparar-se para o parto, para a saída do casulo, para o mergulho no fundo do oceano ou no ar. A beleza é viva e inevitável como o ar que respiramos, porém precisamos ter cuidado com a poluição...